O Colapso da Globalização

02-11-2003 - Jornal A Gazeta
O recente fracasso das negociações em Cancun nos leva a deduzir que a globalização através de acordos multilaterais já não seja mais viável. A inexistência de progresso das negociações entre os países membros da Organização Mundial de Comércio levanta dúvidas quanto a própria relevância desta organização que deve repensar o seu papel e a sua própria existência.
 
Se olharmos para os dados podemos afirmar que a maioria das transações internacionais têm sido realizadas principalmente dentro da tríade de blocos econômicos formados pela América do Norte, União Européia e Ásia. Diferentemente do que as pessoas nos países em desenvolvimento imaginam, não mais do que 30% do total das vendas das principais empresas multinacionais se destinam para essas regiões. No ano 2000, as exportações intra-região representaram 62% para a União Européia, 56% para a área da NAFTA e 56% para Ásia. Confirmando a pouca importância de atividades de vendas globais, constatamos que 94% das vendas da Wal-Mart e 81% da General Motors se destinam ao mercado da América do Norte. Da mesma maneira, 95% das vendas da Sumitomo se concentram na Ásia. De fato, o comércio internacional continua crescendo intra-regiões e não de uma maneira globalizada como muitos pensam. O presidente Vicente Fox do México já descobriu isto há algum tempo. México é o país que possui o maior número de acordos comerciais. A partir de acordos comerciais tanto com os Estados Unidos como com a União Européia, a economia mexicana cresceu a uma taxa anual de 5,6% no período de 1996-2000 contra apenas 2,2% crescimento no Brasil. Em 1996, o PIB do México era apenas a metade do brasileiro, entretanto, a economia mexicana superou a brasileira em junho de 2001.

Nem os europeus nem os americanos cederam em Cancun com a eliminação dos subsídios agrícolas. O problema é que tanto na Europa como nos Estados Unidos existe um superávit na agricultura. Além disso, com o aumento da produtividade no campo, cada vez se produz mais com menos gente, implicando numa diminuição no número de empregos e poder. Paradoxalmente, esta perda de poder do setor agrícola é que faz com que o lobby para manutenção dos subsídios seja mais forte. Para agravar a situação os EUA possuem um déficit comercial significativo de aproximadamente US$ 418 bilhões. Estes fatores juntos colaborarão para que haja um aumento ainda maior da influência de grupos organizados tanto na indústria como na agricultura durante a corrida primária das eleições americanas em 2004. Portanto, deveremos esperar mais protecionismos e menos livre comércio num futuro próximo. 

O que isto significa tudo isto para o Brasil? O insucesso da reunião da OMC e o colapso da iniciativa de se vender para todos de uma maneira globalizada nos leva a concluir da necessidade não perdermos tempo com retórica de livre comércio. Se existe um objetivo de se promover o desenvolvimento no Brasil e gerar riquezas, não existe outra saída senão a da integração de nosso país com um bloco regional do primeiro mundo, ou seja, país emergente com desenvolvido, antes que percamos as oportunidades de mercado existentes. 

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