Exportação e Câmbio

12-11-2003 O desempenho do setor de exportação poderá encerrar o ano de 2003 com as exportações brasileiras atingindo um patamar acima dos US$ 72 bilhões, o que representa um crescimento anual de aproximadamente 20%. Em decorrência dessa performance bastante expressiva, os analistas de comércio exterior começam a questionar a respeito do crescimento sustentado das exportações. Será que conseguiremos manter essa taxa de crescimento em 2004? No âmbito desta discussão muitos comentam que o câmbio deverá ser uma ferramenta fundamental para que as exportações brasileiras continuem crescendo.

No período após a introdução do Plano Real, de 1994 a 1997, quando tínhamos uma moeda forte, as exportações brasileiras tiveram um crescimento médio de 8,35% ao ano. Em contrapartida, nos períodos subseqüentes, de 1998 a 1999, quando tivemos uma desvalorização do Real, as nossas exportações tiveram uma queda média anual no período de aproximadamente 4,8%. Outra vez, no ano de 2002, quando o Real se desvalorizou quase 40%, em relação ao ano anterior, tivemos um crescimento bastante tímido. Muitos imaginaram que somente a desvalorização da moeda seria suficiente para garantir superávits imediatos. Contrariamente ao que se esperava, registramos grandes avanços nas vendas externas em períodos de moeda forte e pouco progresso em períodos de desvalorizações cambiais.

Ao analisarmos o perfil das 250 maiores empresas exportadoras brasileiras podemos citar alguns nomes como Volkswagen do Brasil, General Motors do Brasil, Ford Motor Company, Nokia do Brasil, Caterpillar do Brasil, Goodyear do Brasil, Volvo do Brasil, Dow Química, 3M do Brasil, Laboratórios Pfizer, Moto Honda, Nec do Brasil entre outras. As exportações dessas aproximadamente 100 empresas multinacionais representam 44% do total do volume exportado anualmente pelo Brasil. Além disso, pudemos constatar que a maioria das vendas internacionais são “inter-company”, ou seja, de matriz para filial.

Peter F. Drucker, o mais homenageado consultor de administração, num artigo na revista “Foreign Affairs”, em 1997, já havia observado que política cambial se torna pouco eficaz para incrementar exportações. Ele afirma que a maioria dos produtos exportados de qualquer país desenvolvido se destina às subsidiárias no exterior e isto tende a aumentar. Segundo Drucker, oficialmente e legalmente essas transações entre empresas são exportações. Economicamente, entretanto, são transferências entre empresas, pois grande parte do que é declarado como comércio de produtos é apenas ficção legal.

Portanto, ao se pensar em estratégia de crescimento sustentado das nossas exportações deveremos buscar alternativas diferentes daquelas por ora apresentadas. Mesmo que, no curto prazo, uma política de desvalorização cambial possa aumentar os lucros dos exportadores brasileiros essa política vai ter pouca eficácia em influir nos ajustes que são feitos entre as empresas associadas que são a grande parte do comércio internacional.

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