Os negócios com a China e a Índia

04-02-2004 - Gazeta Mercantil
O governo brasileiro faz seu papel na abertura de novos mercados. Com a viagem do presidente Lula e sua comitiva à Ásia, o Mercosul acabou de dar um importante passo para a assinatura de um acordo de preferências de tarifas com a Índia. 

Conversas sobre o livre comércio deverão, contudo, continuar durante o restante deste ano de 2004. Em novembro de 2003, o Brasil recebeu uma das maiores missões de comércio da China, composta de mais de 35 empresas estatais, visitando São Paulo.

Esses encontros mostram o interesse do governo brasileiro em incrementar o comércio tanto com a China como com a Índia. A China liberalizou radicalmente sua economia e, a partir de produtos simples, de baixa qualidade, passou a exportar bens sofisticados e de alta tecnologia. 

O dragão da Ásia tornou-se uma máquina formidável de exportação. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) confirmam que o crescimento chinês foi três vezes maior do que o do comércio global entre 2000 e 2002. 

A China passou a ser, nos últimos anos, o maior fornecedor e, para muitas economias, o maior destino de suas exportações. Aliás, a emergência da China como uma grande nação comercial está transformando o mercado de commodities. 

A continuidade da industrialização da China vai demandar uma expansão daquele mercado, o que poderá beneficiar os produtores brasileiros. Apesar da abertura econômica, a situação da China não pode ser assumida como estática, uma vez que o autoritarismo de Estado ainda predomina. 

Diferente da China, a Índia, com um governo democrático, comprometido com a educação, tem uma população que fala várias línguas, inclusive o inglês, e vive em relativa harmonia. Aquele tigre da Ásia possui instituições soberbas de ensino que produzem, anualmente, centenas de milhares de pós-graduados em engenharia e áreas médicas. 

No segundo trimestre de 2003 foi a 2 maior economia a crescer no mundo, ou seja, 8,4%. Segundo o banco Standard Chartered, a Índia deverá crescer cerca de 7% no período 2003-2004. Seu déficit público de 10% do PIB não deverá ser um problema se o crescimento for sustentável. 

Contrastando com a Europa, cuja população de idosos já se aproxima dos 20%, a Índia possui apenas 4,8% da sua população na faixa etária acima de 65 anos. Na China esses números são 7,4% da população, e no Brasil apenas 5,7%. 

É bem provável que estejamos assistindo a uma mudança fundamental no mundo. O Brasil e essas economias emergentes podem formar uma tríade equivalente àquela existente entre Estados Unidos, Japão e Europa. 

Entretanto, ao fortalecer os laços comerciais com o dragão e o tigre da Ásia, o grande desafio do Brasil será o de construir uma estratégia de marcas globais pela criação de redes poderosas de negócios como as que podem surgir derivadas da missão comercial à Índia. 

O governo brasileiro está fazendo seu papel abrindo novos mercados; portanto, compete aos empresários brasileiros se envolverem em parcerias e alianças estratégicas, pois no comércio internacional timidez não é virtude.

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