O que diria Drucker aos presidenciáveis?

31-08-2018 Num momento, em que há grande imprevisibilidade quanto ao resultado das eleições, os problemas do Brasil se tornam bastantes transparentes. Os principais temas de preocupação se referem à reforma tributária, às coalizões entre os partidos, à discussão do orçamento, à baixa produtividade, aos entraves das agências reguladoras e aos riscos do retorno da inflação.

Se Drucker aqui estivesse o que diria? Ele era sempre questionado a comentar sobre problemas de crescimento econômico e estratégias corporativas, os quais costumava responder de uma maneira simples e direta: “Não costumo apresentar respostas, mas posso ajudar que façam as perguntas certas”. Em outras ocasiões fazia a seguinte recomendação aos executivos que frequentavam seus seminários: “Por favor, leiam meus livros”.

As minhas credenciais para falar sobre Peter F. Drucker remontam à cidade de Claremont, na Califórnia, em 1989, quando fui seu aluno, por quase dois anos. Naquela cidade, numa manhã de março de 1990, fomos convidados para almoçar com o renomado professor, quando pudemos conversar sobre o Brasil. Num tom bastante reservado, ele me confidenciou que era difícil entender porque nosso país não havia se tornado uma potência econômica mundial. Conhecia muito bem nosso país e afirmava que o nosso problema básico era de “mismanagement”, ou seja, má administração.

Em 1993, ao analisar a administração do presidente Clinton, Drucker enfatizou que é burrice para o governo, qualquer governo, achar que pode controlar a economia. Ele destacava que os presidentes e seus assessores podem trabalhar com margens, estabelecer metas para abaixar a inflação, reduzir déficits, cortar regulamentações, mas não controlar a economia.

Na década de 90, se posicionou contra o aumento das taxas corporativas afirmando que altas taxas inibem a atividade econômica. Nem mesmo acreditava que o aumento dos impostos sobre os ricos aumentaria as receitas do governo, pois isso afetaria um número muito pequeno de pessoas e os ricos encontrariam alternativas para escapar desses impostos.

Não acreditava em governos de coalizão, pois, em tais casos, seria muito difícil prescindir de valores éticos e morais. De fato, podemos constatar no Brasil, políticos eleitos efetuarem o loteamento dos cargos públicos entre colegas que lhes deram apoio, independente das devidas competências.

Com relação a orçamento governamental, sugeria a utilização do processo no qual se estabelece, primeiramente, o limite da receita e, em seguida, procura se encaixar as despesas dentro desse limite, de modo que o mesmo não fosse afetado por interesses especiais de políticos. Tal sistema permitiria que se fizessem escolhas e pudesse se dizer “não”; o que é diferente do sistema utilizado no Brasil, que procura agradar a todos.

Para aumentar a produtividade incentivava que se fizesse a seguinte pergunta: “O que é que estamos fazendo e que não precisa ser feito?” Segundo Drucker, para os líderes governamentais, mais importante do que listar o que imaginam realizar, é abandonar programas improdutivos e obsoletos.

Drucker, certa vez, sugeriu que cada agência reguladora governamental fosse colocada em prova através das seguintes perguntas: “Qual é a função da agência? A missão dessa agência ou qualquer um dos seus programas é ainda vital? E se for, qual é a melhor maneira de realizar a sua missão?”

Argumentava que as economias são muito complexas e que estimulá-las através de gastos públicos se torna inviável, principalmente, quando os governos estão afundados em dívidas. Ressaltava que tais medidas só servem para estimular a inflação.

Em seu livro Gerenciamento, Tarefas, Responsabilidades e Práticas, Drucker aponta que à alta liderança é requerida uma diversidade de capacidades e, sobretudo, de temperamentos. Também aos governantes é demandado que tenham empatia, interesse por pessoas e a habilidade de representar e dar boa impressão.

Não menos importante, ouvi em uma de suas exposições, que as pessoas têm que ter orgulho das organizações a qual pertencem. Neste sentido, o futuro presidente do Brasil terá o grande desafio de recuperar a confiança nas instituições e o orgulho de ser brasileiro que foram exauridas por quase duas décadas de má gestão e corrupção.

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