Líderes Tóxicos

25-07-2018 - A Gazeta Em tempo de eleições, uma pergunta tem me intrigado ultimamente: Por que as pessoas seguem chefes e políticos corruptos? No Brasil, temos o exemplo do ex-presidente Lula que, apesar de ter sido condenado por unanimidade a 12 anos de prisão, ainda tem muitos seguidores.

Uma excelente análise deste tema foi feita pela pesquisadora Jean Lipman- Blumen. Ela afirma que liderança é uma relação entre líderes e seus seguidores. Argumenta, também, que Hitler só pôde ir em frente com o propósito de tentar dominar o mundo porque teve o suporte de milhões de eleitores alemães, trabalhadores e soldados. Não há líderes sem seguidores.

O criador do mercado de “títulos podres” na década de 90, Michael Milken, mesmo sendo condenado por fraude criminosa nos Estados Unidos, continuou tendo o suporte de seus empregados que apareceram na televisão para defendê-lo. Essa estória sobre a defesa de maus líderes se replica em diferentes partes do mundo. O ex-líder soviético Joseph Stálin, cuja repressão causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas ainda encontra admiradores na Rússia. Hugo Chavez, que arruinou a Venezuela, continua sendo uma pessoa central na vida e política daquele país.

A pesquisadora nos ajuda a entender líderes tóxicos, que são caracterizados por traços e comportamentos inadequados tais como:
- Falta de integridade e honestidade.
- Ambição por glória, que os colocam acima do bem estar dos outros.
- Egoísmo e arrogância, ao promover incompetência e corrupção
- Fomentam ações que intimidam, desmoralizam, humilham e marginalizam os outros.
- Violam os direitos básicos dos oponentes, asfixiando críticas.
- Se agarram fortemente ao poder, enfraquecendo sucessores potenciais.
Nenhum líder tóxico no Brasil aceitaria ser caracterizado por um desses comportamentos, nem seus seguidores se convenceriam de que seus líderes poderiam se encaixar em alguns desses traços.

Blumen ressalta que o ser humano tem grande necessidade de liderança. Isso faz com que os seguidores, mesmo que confrontados com comportamentos perniciosos de seus líderes, encontrem desculpas para apoiá-los. A pesquisadora vai adiante ao explicar que esses líderes tóxicos se cercam de pessoas cujo poder é decorrente de seus relacionamentos com o líder e, portanto, são leais ao invés de se aterem aquilo que seja certo ou errado. A espoliação Petrobras, por exemplo, tem pouca ou nenhuma relevância para os seguidores de líderes que foram responsáveis pelos problemas de corrupção na empresa.

Entretanto, a autora apresenta uma estratégia de ações que podem ajudar a nos livrarmos desses líderes:
- Não ter medo de desafiar um líder tóxico. Isso está sendo realizado no Brasil, através do trabalho da Polícia Federal, Ministério Público e juízes.
- Usar democracia para fomentar bons líderes e não votar em pessoas ruins.
- Demandar líderes que nos desencantem. Procurar aqueles que tenham a coragem de abraçar a realidade ao invés daqueles que tentam esconder os desafios.
- Estar pronto para ambicionar o melhor mesmo que não haja segurança que seja o vencedor.
- Preparar uma nova geração de líderes que possam enxergar liderança como um trabalho e não um privilégio.

As eleições estão chegando e teremos uma grande chance de eliminar lideranças tóxicas. Teremos, então, uma nova chance de renovar a crença num futuro melhor e não podemos desperdiçá-la escolhendo líderes ruins.

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