A Volta do Protecionismo

19-12-2008 - Jornal A Gazeta
Embora muito discutida nos dias atuais, a globalização não é um fenômeno recente. O período 1870-1913 foi marcado por uma época de globalização quando houve aumentos de produtividade, do poder de compra, a existência de livre comércio e grandes fluxos de capital. Naquele período, as barreiras tarifárias foram removidas. 

Aquela foi uma época na qual houve grande avanço em bem-estar para um número grande de pessoas no mundo. Em 1910, a proporção de comércio internacional em relação ao PIB global era bastante semelhante ao que constatamos atualmente. 

A primeira globalização desmoronou devido à fragilidade financeira. Os sistemas bancários não tinham depósitos com cobertura de seguro, e as instituições financeiras eram intrinsecamente frágeis. Conseqüentemente, os sistemas bancários entraram em colapso; quebradeiras e deflação aconteceram. 

A grande depressão de 1929 criou tensão e desemprego. Como conseqüência, o Congresso Americano aumentou barreiras protecionistas. O Reino Unido, a França e a Alemanha retaliaram. Na Itália, Mussolini se fortaleceu, apelando para o nacionalismo econômico, e o mundo acabou se encaminhando para a Segunda Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, um grande número de pessoas demanda a volta do protecionismo. 

Na América Latina, os produtores de aço estão se movimentando para evitar uma provável avalanche de produtos siderúrgicos. Empresários do setor de calçados receiam uma invasão de sapatos chineses. A primeira tentativa de globalização foi achatada pelas duas guerras mundiais e uma grande depressão. Além disso, houve o surgimento de ideologias autoritárias que foram uma tragédia para a humanidade. 

A história não se repete de uma maneira idêntica. A primeira globalização teve, como característica, aspectos econômicos. Naquela época, a maioria das pessoas vivia no campo. Atualmente, existe uma concentração de pessoas nas grandes cidades. As ruas de Shanghai estão repletas de automóveis. Na década de 70, eram as bicicletas que dominavam o cenário das cidades chinesas. Peter F. Drucker ressaltou que a globalização não é um fenômeno econômico, mas um fenômeno psicológico, pois mudou valores, aspirações e expectativas das pessoas. 

Os automóveis, os telefones celulares e mesmo os notebooks não são mais luxo, e sim, necessidades. No mundo inteiro pessoas usam a internet para fazer compras e agendar compromissos. Os computadores, que eram restritos às classes privilegiadas, estarão sendo cada vez mais populares com programas de inclusão social em vários países. Os telefones celulares se transformaram em instrumento de trabalho para muitos profissionais. Apesar de inúmeras críticas, a globalização mudou hábitos e teve vencedores. 

O crescimento global e a tecnologia fizeram com que houvesse um aumento maior nos assalariados de renda mais baixa do que naqueles que ganhavam altos salários. Os líderes mundiais devem resistir às pressões de grupos que demandam a volta do protecionismo, pois isso irá conflitar com muitos valores adquiridos e pode causar grandes instabilidades sociais e políticas, que não vale a pena recordar. 

Marcilio R. Machado é vice-presidente do Sindiex, diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda e doutor em administração de empresas pela Nova Southeastern University. e-mail: marcilio@famex.com.br 

19/12/2008 Jornal A Gazeta

FAMEX Comercial Importadora e Exportadora

Rua Abiail do Amaral Carneiro, nº 41, sala 101 - Enseada da Suá - Vitória/ES - 29050-908 - Brasil - Tel: 55 27 3324 1312

Danza Estratégia e Comunicação