Repensando o Brasil: A Revolta de Atlas

22-12-2015 - Jornal A Tribuna 21/12/2015, página 16 O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, proferiu que um dos livros que não deixaria de levar, caso fosse para uma ilha deserta, seria a Revolta de Atlas de autoria de Ayn Rand. O trabalho desta escritora continua merecedor de profunda atenção.

O livro é um romance que apresenta fundamentos econômicos com muita elegância. Rand antecipou que o homem que produz uma ideia é o grande benfeitor da humanidade. Nesse livro ela corrobora o conceito difundido por Peter F. Drucker: a relevância do profissional do conhecimento sobre o trabalhador manual.

O empreendedor de sucesso, na obra de ficção de Rand, adianta as preferencias do consumidor e usa a razão para atender essas preferencias. Neste aspecto seu pensamento vai ao encontro às ideias do grande economista, Joseph Schumpeter, sobre a importância da inovação e do empreendedorismo.

Rand ilustra que um imposto é um pagamento compulsório dos indivíduos para o governo. A autora conclama que sempre se utiliza da desculpa que os impostos são usados para redistribuir riqueza. Segundo a escritora, impostos não apenas desviam recursos de outros propósitos úteis, mas também se tornam uma luta de poder entre grupos de interesse que pressionam o Congresso para atender a seus interesses próprios.

Os heróis da Revolta de Atlas reconhecem que dinheiro deve ser ganho através da produção de bens e serviços. Os vilãos pensam que dinheiro é significativo não importando a maneira com ele é obtido. Ignorando a necessidade de produzir, os saqueadores tentam obter dinheiro através do uso de influência e coerção. Essa prática tem, felizmente, encontrado resistência de algumas instituições, como o Ministério Público, que atua com o objetivo de punir as diversas ilegalidades ocorridas.

A Revolta de Atlas ilustra, também, que não é possível burocratas tomarem decisões inteligentes sobre a economia, pois lhes é impossível obter conhecimento suficiente. Rand compactua com o pensamento de Frederic Hayek, afirmando que o planejamento central inibe a capacidade das empresas de fazerem negócios. No Brasil o excesso de intervenção na atividade econômica, fomenta a corrupção e inibe muitas iniciativas empresariais.

A revista inglesa Economist, em um dos seus artigos, criticou aquilo que é denominado capitalismo de compadrio. Os capitalistas de compadrio se aproximam dos políticos para obterem privilégios especiais a fim de conseguir proteção contra a concorrência. As grandes empreiteiras do Brasil,que estão sendo acusadas de distribuírem dinheiro para políticos para obterem privilégios ou contratos de obras e prestações de serviço, são exemplos deste tipo de capitalismo.

Rand argumenta, também, que os capitalistas de compadrio obtêm proteção através de altas tarifas de importação, barreiras não tarifarias e garantias governamentais para derrotar os concorrentes e não ter que melhorar a sua performance. Talvez, este seja um dos motivos pelos quais estejamos fora da Parceria Transpacífico que deve criar o maior bloco comercial do mundo.

Ao percorrer o Museu de História Americana o visitante aprende sobre velhas invenções tais como o telégrafo de Samuel Morse, a luz elétrica de Thomas Edson até IPhone, e IPad da Apple. Entretanto, Rand afirmava que inovação e empreendedorismo só ocorrem quando pessoas criativas não estão sujeitas às normas caprichosas de reguladores do estado.

A escritora, contudo, acreditava que havia um papel ser desenvolvido pelo Estado: proteger os cidadãos, garantir através da justiça o respeito aos contratos, e prover a defesa militar. No caso brasileiro, é possível constatar que o povo não quer mais políticos que enchem os seus bolsos nem empresários que competem com favores. Congruentes com os heróis da Revolta de Atlas, precisamos de líderes que entendam o poder de mudança que o empreendedorismo pode proporcionar.

Marcilio R Machado
Membro do Conselho Administrativo da AEB – Associação de Comércio Exterior do Brasil.
Presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo - Sindiex
Diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda.

FAMEX Comercial Importadora e Exportadora

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