O oráculo de Delfos e a crise na Grécia

27-07-2015 - Jornal A Tribuna, 24/07/2015, Página 22 Estive na Grécia nas vésperas do referendum que iria decidir se o povo grego deveria aceitar a proposta dos credores internacionais, ou da chamada troika, composta pela União Europeia, Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Diante de tantos questionamentos sobre o futuro daquele país me dirigi a Delfos onde existe o site arqueológico do templo consagrado ao deus Apolo.

Ao chegar ao templo, aprendi que, na antiguidade, as sacerdotisas mascavam algumas plantas e numa espécie de transe faziam profecias que eram consideradas verdades absolutas. Com a guia turística que nos acompanhava, aprendi, também, que muitas das respostas do oráculo eram feitas de uma maneira ambígua, de modo que jamais erravam. Naquele ambiente de história pus me a refletir sobre os desafios da Grécia.

Apesar dos receios de muitas pessoas, não percebi nenhuma instabilidade ou tumulto que comprometesse a minha estadia naquele país. Ao conversar com um professor de sociologia pude entender um pouco os acontecimentos atuais. Com uma taxa total de desemprego acima de 25% , o ambiente emocional das pessoas se encontra bastante abalado. Além disso, os jovens estão com muito temor em relação ao futuro, pois a maioria deles só conseguem trabalhos temporários.

Diferente dos outros países da União Europeia, a agricultura tem uma grande participação no PIB. Na verdade, a participação da agricultura no PIB da Grécia é o dobro da dos outros países europeus e os produtos agrícolas gregos não conseguem competir com os produtos provenientes do resto da Europa. Contudo, um dos poucos setores que tem apresentado bons resultados é o da indústria naval, que se beneficia de incentivos governamentais.

Quando se fala nos motivos da crise, os problemas dos gregos remontam o período dos jogos olímpicos em 2004, cujas despesas, contribuíram para o aumento do endividamento do país. Com uma população de cerca de 11 milhões de habitantes, existem cerca de 800 mil funcionários públicos. Outro grande problema é a aposentadoria que ocorre com a idade de 55 anos. Além disso, existe na Grécia um governo demagogo, que distribui benefícios, prestigiando alguns segmentos, sem se importar como deverá cumprir com suas obrigações.

Embora tenham votado contra a proposta dos credores, a maioria dos gregos parece não querer sair da União Europeia. Perguntei a um dos colegas do Congresso que participava se, por acaso, saíssem da UE, para quem iriam vender os seus produtos. Países fora da UE estão sujeitos a tributos aduaneiros, o que não ocorre na situação atual. Se eles não conseguem ter sucesso ao vender dentro da zona de livre comércio da Europa, como conseguirão exportar seus produtos se eles passarem a ser sujeitos a impostos de importação? Será que o restabelecimento da antiga moeda dracma será capaz de restaurar a produtividade e aumentar a competitividade das empresas gregas? Percebi e encontrei um país muito bonito, com muita história, mas que precisa se adaptar à realidade do mundo moderno.

A Grécia se posicionou em centésimo trigésimo lugar em 2015, no ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation. O país já foi socorrido financeiramente diversas vezes e o governo continua envolvido em problemas de evasão de impostos, com direito de propriedade e corrupção. Com relação ao índice sobre facilidade de fazer negócios desenvolvido pelo Banco Mundial, a Grécia se encontra na sexagésima primeira posição num total de 189 países.

Concluindo, parece que se trata de um país viciado em ser ajudado e que encontra dificuldade de mudar o ambiente de negócios. Durante a viagem a Delfos ouvi que durante as guerras médicas, os cidadãos de Atenas consultaram o oráculo para saber se seria bom aceitar a ajuda de Esparta. O oráculo deu uma resposta negativa, embora a vitória em Salamina só tivesse acorrido justamente com a ajuda de Esparta. No referendum recente o povo grego disse não à ajuda da troika, embora para conseguir a vitória em suas finanças e corrigir os rumos da economia, parece que não poderão prescindir dessa ajuda.

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