O PIB e a Matriz Energética

03-12-2014 - Jornal A Gazeta A retomada do crescimento da economia brasileira é um dos maiores desafios para o novo governo que se inicia em 2015.De acordo com o Fundo Monetário Internacional o Brasil deve crescer 1,4% em 2015, bem abaixo dos 2,3% previstos para os países desenvolvidos e 5% dos países emergentes. A China que tinha um crescimento de dois dígitos deverá ter um crescimento de 7,1% em 2015.

Como o custo marginal de produzir bens e serviços se move para perto de zero em um setor após outro, os lucros estão ficando menores e o Produto Interno Bruto – PIB, está começando a declinar em várias partes do mundo.Existe um cenário de excesso de oferta global, demanda fraca e consequente perspectiva de quedas nos lucros de muitos setores. Está na hora, portanto, de repensar o nossa estratégia de crescimento através da matriz energética.

O Brasil cujo crescimento econômico, se beneficiou amplamente da alta dos preços das commodities não poderá mais contar com isso por algum tempo. Após 4 anos de cotações internacionais elevadas, as commodities entraram em um ciclo de baixa. Houve queda de preços das principais commodities, principalmente, as agrícolas e metálicas no mercado mundial.

O preços do petróleo que tiveram uma queda de 20% desde julho, estão sendo pressionados pelo aumento da produção dos EUA e a queda da demanda de países como a China. A produção petrolífera dos EUA teve um aumento com o fraturamento hidráulico e com a introdução de novas técnicas de perfuração horizontal quepermitiram os produtores acessarem depósitos aprisionados em jazidas e xisto. Além disso, a Agência Internacional de Energia baixou suas revisões para o crescimento da demanda mundial em 2014 e 2015, devido ao fraco crescimento econômico na Ásia e Europa. O centro de gravidade do poder mudou da OPEP para o xisto nos EUA.

Durante os debates realizados antes das eleições presidenciais, a exploração e a importância do petróleo na matriz energética brasileira foram questionados. Naquele momento, parecia proibitivo discutir o assunto. Contudo,é importante analisar as mudanças no setor e seu provável impacto na economia e negócios no Brasil. O boom de petróleo e gás xisto nos EUA alterou o panorama energético mundial, criando um excesso de oferta. Por se tratar de um assunto de grande relevância, a exploração do pré-sal e a matriz energética que queremos, merece uma discussão técnica e pragmática.

Considerado um dos maiores patrimônios da economia do país, o pré-sal terá como destinação de 75% dos royalties e 50% do fundo social para a área da educação, o que representa, em 35 anos, algo em torno de R$ 1,3 trilhão.Mas, se as quedas dos preços no mercado internacional inviabilizarem a exploração do pré-sal?

Uma das principais alternativas para fomentar o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil – PIB, é o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de energia. Do ponto de vista da sustentabilidade, ambientalistas arguem que é preciso desenvolver alternativas de baixo custo para os combustíveis fósseis, com maior eficiência de energia e menor emissão de dióxido de carbono.

Jeremy Rifkin, em seu livro “Zero Cost Marginal Society,” prevê que nos próximos anos centenas de milhões de pessoas produzirão sua própria energia renovável nas suas casas, escritórios, e fábricas e compartilharão eletricidade “verde” entre si através de uma internet de energia. No futuro, serão, ao mesmo tempo, produtores e consumidores da chamada energia verde, seja eólica, solar ou elétrica, podendo vender energia para a comunidade ou cidade onde residem.

Do ponto de visa econômico, Rifkin argumenta que a transformação do regime global de energia de combustíveis fosseis e nuclear em energias renováveis irá demandar milhões de trabalhadores e gerar uma quantidade muito grande de novos negócios. Converter centenas de milhões de construções existentes em micro usinas de eletricidade usando energia verde e construir milhões de novos prédios vai requerer milhões de trabalhadores e abrir novas oportunidades de empreendedorismo para empresas poupadoras de energia, construções inteligentes, e pequenas concessionárias de energias renováveis.

Com o auxílio das novas tecnologia e, sobretudo a Internet, o aumento de eficiência e produtividade deverá reduzir o custo de gerar eletricidade renovável, permitindo que a nova fonte verde de eletricidade se mova perto da paridade do preço de mercado de combustível fóssil e eletricidade nuclear.

Países em todo mundo estão estimulando milhões de usuários a produzirem sua própria energia verde e a compartilhá-la através da Internet. A Alemanha está sendo pioneira na transição para energia verde na Europa. Aquele país está produzindo atualmente mais de 23% de sua eletricidade através de energia renovável.

O setor de energias renováveis pode forjar o empreendedorismo de pequenas e médias empresas. No norte da Europa, por exemplo, 51 por cento da energia renovável instalada é de propriedade de pequenos negócios e pessoas, enquanto as empresas gigantes concessionárias de energia possuem apenas 7 por cento da produção de energia.

Avanços tecnológicos prometem revolucionar o setor de energia. Uma nova bateria de lítio que promete resolver as reclamações a respeito de carros elétricos, os altos preços e as pequenas distâncias alcançadas, deve ser resolvido dentro de um ano.Carros elétricos que custam atualmente 130 mil dólares americanos, poderão cair até cerca de 30 mil.

A existência de problemas de corrupção, conflitos e guerras têm sido constatados em países ricos em recursos naturais. Infelizmente, o Brasil não escapou da síndrome da maldição do petróleo como revelado pelos recentes casos de corrupção envolvendo a Petrobrás. Embora um recurso finito, o petróleo é ainda imprescindível para o país. Entretanto, não podemos comprometer o nosso futuro acreditando que os recursos fósseis sejam a solução de nossos problemas e consigam promover um crescimento sustentável do PIB.

Marcilio R Machado
Membro do Conselho Administrativo da AEB – Associação de Comércio Exterior do Brasil.
Presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo
Diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda.

FAMEX Comercial Importadora e Exportadora

Rua Abiail do Amaral Carneiro, nº 41, sala 101 - Enseada da Suá - Vitória/ES - 29050-908 - Brasil - Tel: 55 27 3324 1312

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