Réquiem da Indústria

03-12-2014 - Jornal A Tribuna A queda na participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto –PIB e nas exportações do Brasil têm sido muito discutidos. Em recente encontro com líderes do setor industrial, representantes do governo apresentaram trabalho informando progressos relacionados a defesa comercial contra concorrência desleal de outros países.

Sem dúvida que devemos combater os modelos desleais que afetam a nossa economia. Entretanto, este não é o maior problema a ser atacado. Na verdade, estamos assistindo uma grande mudança nos modelos de negócios no mundo e isso afeta diversos setores da sociedade. Os avanços da tecnologia neste século estão provocando mudanças substanciais em vários setores, principalmente na indústria.

A invenção da impressora 3D, smart phones e tablets tem sido a sensação do momento. As impressoras 3D permitem o start - up de empresas fabricantes de diferentes artigos como joias, bonecas, sapatos, acessórios de moda, entre outros. A impressora 3D está transformando o mercado fazendo com que consumidores sejam, também, fabricantes.

A internet está se tornando o meio de comunicação para gerenciar a distribuição de energia renovável, logística e transporte. A perspectiva da internet das coisas está conectando todo mundo e todas as coisas numa rede global impulsionada por um aumento de produtividade que nos move para uma era de produtos e serviços de graça.

A internet das coisas, criado por Kevin Ahston do MIT, é um termo utilizado para designar a conectividade de vários objetos do dia a dia através da internet, tais como eletrodomésticos, utilidades domésticas, inclusive energia, comunicação e até mesmo infraestrutura.

Outra grande mudança é em relação à posse. Um grande número de consumidores está optando por acesso ao invés de propriedade das coisas, preferindo pagar apenas por um tempo limitado que usam um carro, uma bicicleta, um brinquedo, uma ferramenta.

As pessoas estão compartilhando carros, por exemplo através da empresa Zipcar, bicicletas, apartamentos (empresa AirbnB), roupas, casas, motoristas de carros (empresa Uber). Essas empresas trabalham com um custo marginal próximo de zero, ou seja o custo de produzir uma unidade adicional de um produto.

A internet da energia, também, está afetando o mercado. As primeiras redes inteligentes de energia elétrica (smart grid) já começam a chegar na região sudeste do Brasil. A implementação destes sistemas permitirá que o consumidor veja quanto determinado equipamento gasta de energia em sua casa. Ele, também, poderá ser um microgerador, instalando painéis solares em sua casa, obtendo desconto em sua conta, e talvez, até vendendo energia.

Os custos de produção de energia renováveis em grande parte do mundo estão diminuindo. O custo dos painéis solares já caiu cerca de 60% desde 2006. O custo de gerar 1 megawatt hora de eletricidade com painéis solares caiu para cerca de 150 Euros na Europa.

Enquanto isso, o custo da energia elétrica para indústria no Brasil é superior a países como Alemanha, Espanha, Reino Unido, Uruguai, China, Japão, Rússia, Bélgica, Holanda, Canadá e Estados Unidos. Os altos custos de energia afetam não somente as grandes empresas brasileiras, mas as micro e médias, também.

Como o custo marginal de produzir os bens e serviços se move para perto de zero em um setor após outro, os lucros estão ficando menores. Não adianta colocar a culpa no câmbio pela perda de competitividade da indústria brasileira.
E se ajustássemos o câmbio, teríamos economia de escala, por exemplo, para vender os nossos produtos para a China?

A implementação de medidas protecionistas ou barreiras não tarifárias não resolverão o problema. Elas só servirão para atrasar a nossa participação nesta nova revolução, ditada pela inteligência, muito conhecida pelos jovens através da palavra “smart”. Para evitarmos o réquiem da indústria é necessário uma maior, e não menor, inserção da economia brasileira nas cadeias globais. Pois só assim, poderemos absorver as tecnologias de ponta que avançam no mundo e reconquistar o espaço que a indústria tem perdido.


Marcilio R Machado
Presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo - Sindiex
Diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda.

FAMEX Comercial Importadora e Exportadora

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