Terceirização e Sobrevivência das Empresas

09-10-2014 - Publicado em 03/10/2014 - Jornal A Tribuna O último encontro que tive com Peter F Drucker foi em julho de 2003, na Califórnia, durante uma palestra sobre o Futuro das Corporações. Ninguém melhor do que Drucker para falar sobre elas, pois foi o pioneiro a descrevê-las num trabalho seminal, “The Concept of the Corporation”, em 1946. Em 2003, porém, Drucker salientou que o futuro das corporações era o desintegração.

Tomando como referencia o trabalho de Ronald Coase, Nobel de Economia em 1991, que descreveu de uma maneira rigorosa e científica o motivo das empresas existirem, Druckeralertava que as corporações, como constituídas no passado, tenderiam à extinção. Segundo Coase, as empresas existem quando os custos de transação superam os custos de estabelecimento e manutenção de uma burocracia corporativa. Na época, em 1937, os custos de transação eram enormes e, consequentemente, era possíveljustificar manter várias atividades dentro de uma grande empresa.

Naquele evento na Califórnia, Drucker arguiu que com a redução dos custos de transação, principalmente os de informação e comunicação, decorrentes dos avanços da tecnologia, não fazia mais sentido a estrutura das empresas como em meados do século passado. Na década de trinta do século passado, por exemplo, o custo de três minutos de uma ligação telefônica entre Nova Iorque e Londres era aproximadamente 245 dólares, enquanto que, atualmente, o custo é quase zero.

No Brasil, a terceirização passa por um momento delicado. A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, pois alguns tribunais do trabalho entendem que terceirização de atividades fins seria ilegal. Enquanto o fenômeno da terceirização foi apontado por Drucker há aproximadamente 11 anos atrás, no Brasil a aceitação deste conceito, essencial para a competitividade das empresas, encontra resistência de alguns setores da sociedade.

Quando perguntado se, pelo menos,a área de Recursos Humanos poderia sobreviver dentro das empresas, Drucker salientou que este setor é um dos que tem mais crescido como atividade de negócios fora das corporações. Por mais paradoxal que seja, embora tenha ocorrido uma grande queda nos custos de transação, esses se tornaram mais relevantes do que os custos de produção. Na realidadeos custos de produção,por sua vez,continuam diminuindo em função da robótica e automação.

Drucker concordava com Coase ao esclarecer que, as corporações só teriam razão de existir devido à existência dos custos de transação. A queda , principalmente,dos custos de informação e comunicação seria um sinal de que estaríamos contemplando outros modelos de estruturas de empresas, mais integradas horizontalmente. Não havia mais sentido empresas totalmente verticalizadas como no passado.

Quando alguém na plateia perguntou quem deveria ou quais departamentos sobreviveriam, Drucker respondeu: “talvez o presidente da empresa, e se isso ocorresse, o papel dele será estritamente estratégico”. Ele antecipou que a terceirização era um acontecimento que deveria dominar o ambiente de negócios.

Nesse interim, a indústria brasileira passa por momentos difíceis. Perde competitividade para a indústria chinesa localizada a milhares de quilômetros de distância, até em nosso mercado vizinho, a Argentina. Não é, pois, de estranhar que tenhamos dificuldade em vender nossos produtos para os mercados da União Européia e dos Estados Unidos.

Para aumentar a produtividade e competitividade das empresas é importante que as empresas possam decidir com total liberdade aquilo que é essencial para seus negócios. As mudanças decorrentes dos avanços da tecnologia são irreversíveis e não é possível renegá-las sob o risco de comprometermos, principalmente, o futuro das indústrias brasileiras.

Alguns sindicatos lutam para impor uma legislação que restrinja a terceirização e assegure o direito dos trabalhadores. Entretanto, parece que eles não entendem que o que está em jogo é a própria sobrevivência das empresas e, por escala, o emprego desses trabalhadores.

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