O Centenário de Drucker

01-12-2009 - Jornal A Gazeta O centenário do nascimento de Peter F. Drucker foi comemorado, em Viena, dia 19 de novembro de 2009. Em grande Congresso, organizado em sua cidade natal, vários empresários, executivos e intelectuais se reuniram para comemorar o aniversário do pai do gerenciamento moderno. O evento não tinha o objetivo de recordar as contribuições que ele dera à área de gerenciamento, mas fazer uma ligação entre a sua sabedoria e os desafios recentes. O que diria Drucker sobre a crise que o mundo está passando?

Drucker se sentia um turista em seu próprio país e deixou Viena porque havia poucas oportunidades naquela época. Apesar de ter deixado a Áustria, as raízes de seu pensamento certamente eram condizentes com sua origem e formação. A sua própria vida e atitudes eram um espelho daquilo que ele vivia e ensinava. Era excelente em civilidade, educação e polidez. Quando no Japão, seguia os modos milenares da cultura do país, por exemplo, ele se curvava balançando a cabeça quantas vezes os seus colegas japoneses o fizessem. Na verdade, era o último a parar de se curvar conforme testemunho de sua viúva Doris.

Durante o evento, Fredmund Malik ressaltou que não estamos vivendo apenas uma crise. O velho mundo está mudando, desaparecendo. O velho mundo seria aquele que tinha uma obsessão por maximização de lucro e criação de valor para os acionistas, objetos de crítica de Drucker. Também presente em Viena, C. K. Prahalad sustentou que o rigor metodológico e a força do pensamento de Drucker mudaram a vida de muitas pessoas. Ele se interessava por tudo e, dentre outras coisas, previu o surgimento da sociedade do conhecimento. Para ele o importante não eram apenas os aspectos psicológicos, sociais, filosóficos, ou econômicos. Drucker se interessava por tudo e olhava além das empresas.

Algumas das características pessoais de Drucker podem servir de exemplo para alguns líderes do século 21: integridade, humildade e generosidade. Integridade significa que as pessoas têm que parecer o que realmente são. Humildade, não significa negar as forças pessoais. Humildade refere-se à habilidade de estar aberto para aprender o que quer que seja necessário. Drucker era também um modelo de generosidade, pois respeitava as pessoas e as escutava com atenção. Ele acreditava que os administradores deveriam se fazer entender facilmente pelas pessoas comuns da rua, visto que é a linguagem que cria a comunidade.

Quatro anos após a sua morte, é bem provável que sua influência esteja crescendo e não declinando. Ninguém, como ele, para explicar as transformações e os rumos da sociedade do futuro. Realmente, parece que deverá haver uma cobrança maior por uma sociedade na qual as organizações sejam mais responsáveis e comprometidas com o bem comum. De acordo com Drucker, a empresa é uma organização social e o gerenciamento, também, é uma função social. É preciso, portanto, repensar o caráter, a moral e o papel das organizações na sociedade. Além disso, para entender as mudanças atuais e não repetir os erros do passado faz-se necessário uma mudança de atitude, como preconizado por Drucker, que leve em consideração uma sociedade pluralística, onde tudo é importante não apenas o homem econômico.

1/12/2009 Jornal A Gazeta

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