Balança Comercial e Pragmatismo

01-03-2013 - Revista Indústria Capixaba
O resultado da balança comercial tem sido sempre o foco de atenção.É importante acompanhar seu resultado, pois muitas das crises internacionais aconteceram quando países acumularam grandes déficits comerciais.Além disso, a teoria econômica nos ensina que um país com superávit na balança comercial está acumulando riqueza.  

Entretanto, além de quantificar o resultado é preciso analisar o fluxo de comércio e as principais tendências. 

Apesar do aumento da corrente de comércio com a China, o Brasil registrou uma queda na sua balança comercial em 2012,  cujo superávit foi  de aproximadamente $19,43 bilhões de dólares. 

Para alguns analistas, essa queda ocorreu devido acrise na Europa. O Brasil, então, teria se tornado o alvo da desova de produtos de vários países.  Outros atribuem a redução do superávit comercial  ao excesso de importações, o que parece precipitado, pois as importações representam, apenas, cerca de 10% de nosso Produto Interno Bruto. 

Cerca de setenta por centodas exportações brasileiras são compostas por commodities. Desta maneira, a balança comercial fica numa posição frágil, dependendo demasiadamente dos preços das matérias primas.

É muito difícil fazer uma previsão do saldo da balança comercial para 2013.  Todavia, o resultado estará ligado às decisões sobre quais mercados priorizar.Alguns empresários defendem um enfoque no Mercosul, enquanto outros apostam na China.  

As empresas brasileiras expandiram as exportações para a América do Sul de apenas $ 11,7 bilhões de dólares em 2005, para um volume total de $ 27,85 bilhões em 2011.

Entretanto,asexportações para o Mercosul, em 2012, tiveram uma reduçãode 18,13% devido às barreiras da Argentina. É complicadoprever quanto tempo a Argentina levará para eliminar as barreiras aos produtos brasileiros.

Apesar da China ser o mercado alvo de muitos países, as empresas brasileiras têm dificuldade de vender produtos acabados para a China.  Basicamente, nossas exportações para a China são compostas em sua maioria por commodities.

Por outro lado, os Estados Unidos têm sido os maiores parceiros do Brasil e só perderam a posição de maior destino das exportações brasileiras em 2009.  Em 2012, as exportações do Brasil para aquele mercado, compostas principalmente de produtos industrializados, apresentaram um crescimento de aproximadamente 7%.

Se existe a intenção de reduzir a fragilidade da balança comercial, é necessário contemplar com pragmatismo a dinâmica dos mercados internacionais. 

A crise da Europa fez com que, recentemente, o parlamento europeu apelasse paraum acordo de livre comércio com os Estados Unidos, que, por sua vez, procuram celebrar um acordo transpacífico, incluindo a China e o Japão.

Podemos afirmar que acordos multilaterais têm pouca chance de sucesso. Cabe ao governo brasileiro avançar com acordo regionais, principalmente com os Estados Unidos, e aos empresários  a ousadia de marcar o território com seus produtos, pois os nossos concorrentes já se anteciparam.

Marcilio R. Machado é Vice-Presidente do Conselho de Comércio Exterior da Findes, diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda e doutor em Administração de Empresas pela Nova Southeastern University.

FAMEX Comercial Importadora e Exportadora

Rua Abiail do Amaral Carneiro, nº 41, sala 101 - Enseada da Suá - Vitória/ES - 29050-908 - Brasil - Tel: 55 27 3324 1312

Danza Estratégia e Comunicação