Empreendedorismo e Liberdade Econômica

10-07-2014 - Jornal A Tribuna
O debate sobre as previsões do crescimento da economia brasileira têm envolvido muitos economistas e instituições internacionais. Em 2014, a OECD (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por exemplo, reduziu a projeção do PIB do Brasil para 1,8% ante a estimativa anterior de 2,2%.

Ao discorrer sobre este tema cumpre entender que desenvolvimento e crescimento econômico ocorrem através de inovação que, por sua vez, consiste na introdução de novos produtos, novos métodos de produção, abertura de um novo negócio, ou uma nova indústria. As sociedades não crescem sem empreendedores, que são aqueles que têm a capacidade de perceber novas oportunidades e introduzir produtos, serviços ou aperfeiçoar processos.

O conceito de inovação para muitas pessoas se restringe a fazer uso de tecnologia para criar novos produtos. Inovação tecnológica, contudo, compreende a introdução de novos produtos e também processos. Empreendedores como Michael Dell e Jeff Bezos alcançaram sucesso ao redesenhar novos processos para vender computadores e livros através de comércio eletrônico, respectivamente. O brasileiro Eduardo Saverin ganhou projeção internacional como um dos fundadores do Facebook. Embora o Brasil seja o maior exportador de café mundial, foi Howard Schultz, nos Estados Unidos, que inovou na maneira de vender café criando a Starbuck. É uma pena que empresas como, a  Amazon, ou Starbuck e empreendedores como Saverin não tenham despontado no Brasil.

Mas, será que o Brasil possui um ambiente de liberdade econômica que estimula o surgimento de empreendedores? Segundo a Heritage Foundation, o Brasil está ranqueado na 114ª posição com relação à liberdade econômica, ficando atrás de países como Paraguai, Uruguai, Peru e Chile que, por sua vez, ocupa a 7ª posição. Entretanto, o país se encontra melhor posicionado do que alguns países da América Central e Caribe, tais como, Belize, Haiti e Cuba.

A pontuação do Brasil piorou em relação a 2013. Houve declínio em relação à liberdade do trabalho, liberdade fiscal, monetária e de comércio. O Brasil está ranqueado em 20º lugar entre os 29 países da América Central e do Sul. No entanto, necessário se faz reconhecer que nos primeiros anos do século XXI, houve progresso, pois o Brasil avançou para a categoria de país moderadamente livre. Lamentavelmente, a partir de 2007, houve um retrocesso e o país passou a ter um status de economia “sem liberdade na maioria dos casos”.

Pesquisas empíricas realizadas pelo pesquisador europeu J. Vasconcellos indicam que existe uma forte correlação entre liberdade econômica e competitividade. Também, existe forte correlação entre liberdade econômica e Produto Interno Bruto per capita. Consequentemente, podemos inferir que devido à limitada liberdade econômica, a maioria dos empresários não explora o seu potencial inovador e isso reflete na geração de riqueza do país.

Qualquer empreendedor no Brasil sabe das dificuldades e da burocracia de começar um novo negócio.  Isso inibe potenciais empreendedores, muitos deles jovens, que atualmente buscam uma carreira pública com a desculpa de conseguirem bons salários e estabilidade econômica. Mas, quanto custa para o país ter um grande número de pessoas no serviço público e qual o limite de oferta de empregos neste setor?

Caso houvesse um ambiente de maior liberdade econômica, muitos negócios poderiam ter um substancial incremento. Ao invés de estimular uma crescente demanda de funcionários públicos na sociedade, seria aconselhável reduzir a maioria de barreiras de entrada para empreendedores, impostos e taxas sobre comércio e investimento.

Num período eleitoral surgem muitas oportunidades para discutir o futuro que desejamos. A temporada de diálogo entre os cidadãos e políticos está aberta. É preciso exercer a cidadania com sugestões para que a economia brasileira possa recuperar o passo para o crescimento sustentável. O que precisa ser feito para mudar a nossa realidade é promover uma cultura de empreendedorismo, de modo que as novas gerações possam acreditar em conseguir sucesso através da criatividade de suas ideias e implementação de negócios inovadores.

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