Eleições e Democracia

17-07-2010 O ano de 2010 será um ano eleitoral e a situação nos exige cautela e reflexão ao tomar decisões a respeito dos desígnios do país e dos estados brasileiros. O relatório da Freedom House mostra que a democracia tem estado sob ameaça em várias partes do mundo. O relatório discute que durante a Guerra Fria havia pouca ambigüidade em relação aos Estados autoritários. Atualmente, os governos autoritários modernos toleram pouco pluralismo em casa enquanto participam da maioria das instituições políticas e financeiras mundiais. No século XXI, os regimes autoritários se posicionam muito bem no que se refere às práticas que permitam atividades econômicas enquanto que ao mesmo tempo protegem suas prerrogativas políticas e avançam vigorosamente seus valores intervencionistas e pouco democráticos. O relatório mostra na sua pesquisa anual que os direitos políticos, a liberdades civis sofreram um declínio por três anos consecutivos. Na Rússia há um controle muito forte sobre a média independente e nas emissoras estrangeiras. Na China e Irã a Internet tem sido constantemente censurada e sob controle governamental. No Paquistão o controle a média surgiu revestido sob a forma do Talibã ou de extremismo religioso. Na Venezuela, um caudilho que tem Fidel Castro como modelo cancela concessões de canais de televisão. Apesar de medidas restritivas, tanto o Irão como a Venezuela se consideram países democráticos. Outra característica comum desses países que invocam para si o nome de democráticos é o lançamento de canais de televisão estatais como o Rússia Today, Iran´s Press TV, Venezuela`s Telesur, cujo objetivo é projetar as suas influências além de seus países. O novo autoritarismo que se vivencia hoje considera que o controle da informação e da atividade política não é apenas possível, mas necessário. Esses países autodenominados democráticos apresentam como traço comum o uso de poder e riqueza do estado para servir primeiramente aos seus interesses próprios e de uma maneira secundária para conseguir o apoio explícito ou implícito das massas.

De fato democracias permitem crítica e aceitam pensamentos e idéias divergentes o que as podem colocar em risco. Portanto, num ano de eleições se faz necessário refletir se os votos serão dados para os grupos políticos que tem realmente um compromisso com a liberdade. Em 1932, a grande parte dos industriais da Alemanha era contra Hitler. Entretanto, quando a sua vitória estava praticamente assegurada se tornou uma questão de prudência contribuir para os fundos da campanha de Hitler. Na verdade, tanto Hitler como Mussolini chegaram ao poder não apenas com o apoio das massas, mas também com o apoio das classes médias e altas da sociedade. Ao examinarmos a fragilidade inerente das democracias compreende-se que a sua existência depende de instituições fortes e a existência de também forte oposição. O que se observa no mundo atualmente, e, principalmente na América Latina que tem sido chamado de hiper-presidencialismo pode se tornar um grande risco para as jovens democracias. A omissão dos políticos na Venezuela e a fraca oposição permitiram que se instalasse um regime semi-totalitário no país.

Ao escolher um candidato o eleitor muitas vezes se surpreende ao reparar que o discurso pregado na campanha muitas vezes não é colocado em prática. Cientistas políticos e sociólogos se esmeram ao tentar entender porque as pessoas se desviam de princípios morais, humanitários e racionais. O pesquisador Alexander George chama atenção para algumas limitações que podem ser úteis ao entender o comportamento de um futuro candidato a um cargo público. Segundo o pesquisador as pessoas podem falhar por restrições cognitivas, ou seja, falta de recursos para fazer uma análise adequada ou experiência para lidar com situações complexas. A segunda restrição seria a associativa, na qual os líderes tomam decisões com o objetivo de serem aceitos, obterem consenso ou conseguir apoio social. A terceira restrição seria a egocêntrica, na qual os líderes têm necessidade de prestígio, atender motivos estritamente pessoais, necessidades de manter a auto-estima ou outras necessidades emocionais. Não há dúvida que é muito difícil para qualquer eleitor perceber o verdadeiro caráter ou quais serão as limitações que o futuro líder estará sujeito. Entretanto, através de seu trabalho pode se entender se ele realmente realiza um trabalho para a sociedade ou se prioriza satisfação de afiliados, partidos políticos, satisfazer o seu próprio ego ou se possui dificuldades cognitivas para administrar recursos. Entretanto, é importante entender que para a sustentabilidade da democracia temos que ser responsáveis ao tomar , pois a história nos ensina que a omissão pode custar caro como o totalitarismo que imperou na Europa durante quase meio século no século anterior.

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