A verdadeira revolução que precisamos

06-07-2007 - Gazeta Mercantil
Uma terceira abertura é indicada para enfrentar os desafios da globalização.

No século XIX, Alexis de Tocqueville manifestou sua descrença em revoluções, ao constatar os rumos que a Revolução Francesa tomara. Frustrou-se ao perceber que a mesma ocorrera sem que se fizesse, nas leis e idéias, as mudanças necessárias para que ela realmente se tornasse efetiva. Assim, cético em relação às conseqüências da revolução e ideologia revolucionária, passou a estudar as instituições e a emergência do Estado administrativo moderno.

A Revolução Francesa, no século XVIII, que tinha como um dos propósitos resolver os problemas sociais, foi sucedida por um regime de terror, quando houve um excesso de radicalização política e muitos dos oposicionistas do governo foram condenados à morte. Em 1917, a Revolução Russa teve também, como conseqüência, um governo de terror político, que foi responsável pela prisão de mais de 5 milhões. O século XX assistiu, então, a revoluções malfadadas, como em Cuba, na China e no Irã. Em todos os casos, as revoluções, em vez de proporcionarem mais liberdade para as classes oprimidas, restringiram as liberdades individuais.

Mas, quem precisa de uma revolução? Segundo Hugo Chávez, presidente da Venezuela, a América Latina precisa de uma nova revolução bolivariana que promova uma integração, de modo a produzir mudanças políticas, sociais e econômicas na região. Com isso, ele toma medidas pouco democráticas contra a imprensa e seus opositores e os ameaçam dizendo que pretende alterar a Constituição do país, de modo a permanecer no poder de forma vitalícia. Entretanto, ao examinar contextos históricos, podemos antecipar que as revoluções, tais como as preconizadas por alguns líderes políticos, não atingem seus propósitos. Em vez de promoverem a liberdade, elas aumentam o tamanho das prisões. 

A verdadeira revolução na China aconteceu somente quando o líder Deng Xiaoping, em 1982, se pronunciou dizendo que ser rico é ser glorioso. Ao contrário da Revolução Cultural, promovida por Mao Tsétung, que causou grande prejuízo, Deng Xiaoping realizou mudanças sociais que mexeu com o interior das pessoas, tirou muita gente da pobreza e impulsionou o desenvolvimento econômico. Ao propagar a importância da prosperidade, liberou uma força pessoal latente nos chineses, que está contribuindo para reduzir as restrições políticas no país e aumentar o interesse na educação. 

Talvez seja o momento de o Brasil promover uma terceira abertura para o mundo de modo a enfrentar com sucesso os desafios decorrentes da globalização, pois, apesar das considerações favoráveis do ambiente externo, ainda não conseguimos uma taxa de crescimento da economia semelhante à dos países emergentes. A primeira abertura ocorreu há quase três séculos quando Dom João VI abriu os portos às nações amigas. A segunda ocorreu quando o governo do presidente Fernando Collor reduziu a tarifa média de importação de 43% para 30%, praticada atualmente. Essa abertura que ocorreu há 16 anos foi o passo inicial para que houvesse no Brasil um processo de intensa modernização em diversos setores da economia.

Segundo o Relatório Mundial de Competitividade do IMD de 2007, o Brasil retrocedeu, pois, passamos de 44o- para o 49o- lugar entre as 55 economias avaliadas. Essa queda no ranking foi explicada por fatores, tais como a alta carga tributária que inibe os empresários, os juros altos e o excesso de burocracia governamental. Para não perdermos as janelas de oportunidade que se descortinam, devemos restaurar o processo de desburocratização iniciado no passado que, infelizmente, não teve continuidade. Além disso, teremos de ter coragem de discutir, seriamente, a redução das cargas tributária e trabalhista, de modo a liberar a energia empreendedora do brasileiro.

A história nos mostra que, apesar da influência e inspiração de grandes pensadores, sejam eles os grandes filósofos iluministas ou teóricos marxistas, as revoluções como tal idealizadas jamais ocorreram. Cabe, portanto, às lideranças políticas e empresariais realizarem mudanças que possibilitem uma verdadeira revolução; aquelas que permitam fazer uma revisão das leis e conceitos e que indiquem novos caminhos para que possamos entrar numa nova fase histórica do País. Caso não tenhamos coragem de repensar o nosso modelo e mudar, continuaremos a ser um país do futuro.

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