A empresa na era da terceirização

05-05-2004 - Gazeta Mercantil
Tudo indica que a mudança nas relações de trabalho veio para ficar. Enquanto no Brasil está de volta a discussão sobre a terceirização no setor público, lá fora a discussão tomou um aspecto global. No hemisfério norte, várias empresas acharam conveniente fazer seu trabalho por meio de call centers na Ásia. A terceirização offshore, consiste na criação de empregos no exterior ou deslocamento de empregos qualificados para outros países, como a Índia, onde os profissionais são mais baratos e trabalham melhor. Numa ação protecionista, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma legislação que proíbe a terceirização de contratos do governo federal para outros países. Apesar dessa tentativa por parte de alguns governos, as empresas continuam terceirizando. Empresa da indústria automobilística, a General Motors não faz mais o próprio aço. O sucesso da empresa brasileira Embraer envolveu relacionamento de terceirização, parcerias e investimentos diretos em países no exterior. São muitos os exemplos que nos fazem inferir que essa é a era da terceirização.
 
Os avanços da tecnologia de informação e comunicação na indústria e serviços e a proliferação do uso de computadores impulsionaram o surgimento de inúmeras inovações na área de gestão. Tecnologia de informação permite que seja mais fácil terceirizar as funções do negócio, pois o custo transacional mais importante, o de comunicação, está cada vez menor. Algumas empresas de telefonia no Brasil, por exemplo, passaram a oferecer chamadas de discagem direta internacional por até R$ 0,06 por minuto, o que antes da privatização do setor era considerado impensável. Conseqüentemente, abriram-se às empresas a oportunidade de alcançar eficiência pela alavancagem de economia de escala por meio de outros, isto é, terceirizar. 

Houve um deslocamento de custos de produção para custos de transação. Nas economias modernas os custos de transação se tornaram igualmente e, em alguns casos, mais importantes do que os custos de produção. Em 1870, por exemplo, os custos de transação representavam 26,1% do Produto Interno Bruto (PIB) americano. Cem anos depois, em 1970, tais custos atingiram 54,7% do PIB. 

As organizações e seus executivos hoje têm de lidar com o paradoxo dos custos de transação e conseguir vantagem competitiva. Embora a grande maioria dos custos transacionais tenha tido uma grande queda, passou a ter uma participação maior nos custos das empresas e no PIB de diversos países. 

Nos próximos anos a terceirização deverá ter um crescimento exponencial. Da mesma forma que no início do século passado as empresas se estruturavam procurando manter todas as atividades sob um controle interno, hoje a tendência é totalmente diversa. A palavra-chave atualmente é desintegração. Uma desintegração de empresas que se faz necessária e ao mesmo tempo viável em conseqüência das tecnologias de informação e comunicação disponíveis no século 21. 

Tudo indica que a terceirização veio para ficar e transformar de uma maneira definitiva aquilo que entendemos como empresa e suas relações de trabalho. O impacto nas organizações decorrentes das mudanças que estão por vir nos sinalizam que, com certeza, teremos um mundo mais produtivo. Entretanto, lamentavelmente, não temos nenhuma garantia de que este mundo será mais humano. 

(Caderno A3)(Marcilio R. Machado - Diretor da Famex Importadora e Exportadora e professor do curso de pós-graduação em Comércio Exterior da Universidade Federal do ES.) 

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