Tercerização e Protecionismo

15-04-2004 - Jornal A Gazeta
Na maior parte dos países desenvolvidos do hemisfério Norte, existe uma grande polêmica e discussão sobre a terceirização. Isso porque várias empresas acharam conveniente fazer seu trabalho através de call centers, na Ásia.

A terceirização "offshore", como é chamada esse tipo de terceirização, consiste na criação de empregos no exterior ou deslocamento de empregos qualificados para outros países. 

A terceirização de serviços baseados em voz é um dos setores que mais crescem da indústria de tecnologia de informação da Índia. John Kerry, candidato à presidência dos Estados Unidos, colocou como um dos seus objetivos aumentar as taxas das empresas americanas investindo no exterior.

Essa política teria a finalidade de evitar a exportação de empregos americanos. Na Europa, com a valorização do Euro, as empresas estão realizando subcontratação no Leste Europeu, Marrocos, e Tunísia. 

A Alemanha e a Áustria, após ficarem por uma década olhando os empregos de chão de fábrica se moverem para o Leste, estão agora assistindo a terceirização dos empregos de alta tecnologia e conhecimento técnico para outros países.

Em 1937, Ronald Coase, que ganhou um Nobel em economia em 1991, concluiu que as empresas internalizam atividades que elas podem realizar mais eficientemente e subcontratam outras, cujos fornecedores externos podem realizar com custos menores. 

Quando Coase iniciou a discussão sobre os custos de transação, estes eram muito altos e as empresas se viam obrigadas a trabalhar totalmente integradas verticalmente, ou seja, todas as funções eram coordenadas e executadas dentro das próprias empresas. 

Os avanços da tecnologia de informação e comunicação na indústria e serviços, e a proliferação do uso de computadores impulsionaram o surgimento de inúmeras inovações na área de gestão. Tecnologia de informação permite que seja mais fácil terceirizar as funções do negócio, pois o custo transacional mais importante, o de comunicação, está cada vez menor. Conseqüentemente, tudo indica que a terceirização parece que veio para ficar.

Ao invés de reclamarem da queda nos empregos, as empresas de investimentos em Wall Street aconselham seus clientes a adquirirem ações de empresas indianas. A discussão sobre o impacto de terceirização no desemprego é mais sutil do que parece. Governos, quando adotam medidas protecionistas, revelam uma falta de entendimento do papel de terceirização no mercado de trabalho.

Terceirização não é a responsável pela dificuldade de crescimento dos empregos, mas o rápido crescimento da produtividade nos últimos 50 anos. Medidas para barrarem as operações de terceirização parecem serem inócuas e esta nova tentativa de protecionismo totalmente ineficiente. 

De fato, as empresas bem sucedidas não usam a terceirização com o objetivo de redução de custos, mas para melhorar a qualidade da mão-de-obra. Portanto, para atender a demanda do mercado com objetivo de criar empregos a única saída provável é a de investimentos em treinamento, qualificação e compensação flexível de pessoal. Afinal, vivemos na sociedade do conhecimento.

Marcílio R. Machado, diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda.
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