Integração comercial a custo menor

02-03-2004 - Gazeta Mercantil
Os problemas de infra-estrutura elevam as despesas transacionais. Ronald Coase, prêmio Nobel de economia em 1991, foi uma das primeiras pessoas em 1937 a discutir a importância dos custos transacionais. De fato, forçou os economistas a pensarem sobre o tema. Custos transacionais são geralmente aqueles que envolvem interação e coordenação humanas ao longo do tempo. Os custos de transação hoje são, em muitos casos, mais importantes do que os custos de transformação. 

O Brasil, com rodovias inadequadas e outros problemas de infra-estrutura, torna os produtores que vivem na área rural vítimas de altos custos transacionais. Os custos relacionados ao fluxo de mercadorias entre cidades, estados e países, tais como os decorrentes de transportes ineficientes e comunicação, além das políticas econômicas inadequadas, afetam a competitividade das empresas brasileiras. 

Na América Latina, em média, os países mantêm duas vezes mais estoques de matérias-primas e produtos acabados do que, por exemplo, os Estados Unidos. Portanto, esta é a hora de encararmos a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) levando em consideração o que está acontecendo no resto do mundo. A adoção de uma moeda comum na maioria dos países membros da União Européia (UE) deverá reduzir os custos transacionais. Os negócios na UE podem agora acontecer sem as indesejáveis despesas transacionais associadas a diferentes moedas. Sem sombra de dúvida, a moeda única elimina alguns custos das transações, aumenta a eficiência econômico-financeira e leva a uma elevação do volume dos negócios do comércio e do volume de investimentos dentro da área de moeda única. 

Criar eficiências econômicas entre os países da Nafta é também uma meta apropriada. Aparentemente, o mundo constatou que a formação de blocos comerciais tem como um dos objetivos redução de custos transacionais, de modo que melhore eficácia e eficiência das empresas. O continente asiático parece que também entendeu o problema, pois a Associação das Nações do Sudeste da Ásia (Asean) reduziu custos transacionais para facilitar o comércio. 

A exclusão do Brasil da Alca teria um grande impacto nas empresas brasileiras, pois isso poderia significar uma continuidade dos altos custos transacionais a que estamos sujeitos atualmente. No Brasil teremos de desenvolver uma grande quantidade de medidas para aumentar a nossa competitividade. Entre os principais fatores que contribuem para o aumento dos custos de nossos negócios internacionais podemos citar: exigências de licenciamento, rotulagem, permissão de trabalho, vistos, padrões inconsistentes nos mercados de exportação e taxas portuárias. A esse rol de dificuldades somam-se as exigências de cadastros que têm de ser cumpridos para se conseguir autorização para exportar, a falta de transparência em regulamentações e licenciamentos, que são custos transacionais que dificultam o nosso acesso a mercados internacionais. 

É fato conhecido que numa integração comercial há perdedores e ganhadores. Entretanto, a celebração de um acordo de livre comércio, principalmente com os Estados Unidos, nos obrigará a fazer o que tem de ser feito. A assinatura do acordo da Alca nos obrigará a implementar um número grande de medidas, sem as quais perderemos competitividade, o que pode nos levar a cair na armadilha do baixo crescimento. Se nos excluirmos desse processo, as mudanças que têm de ser feitas com urgência provavelmente ocorrerão muito mais lentamente. Em se tratando de mercados externos, velocidade e agilidade são variáveis que não podem ser negligenciadas.

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