O Mito da Desindustrialização

07-02-2011 - Jornal A Gazeta Desde início do século passado, muitos economistas já discutiam a desindustrialização. Naquela época, a polêmica era centrada, principalmente, na queda dos empregos. Atualmente, a discussão inclui aspectos como a participação dos produtos manufaturados na formação do Produto Interno Bruto – PIB e nas exportações do país. O aumento de 14,5% nas exportações de commodities e a queda nas exportações de manufaturados de 16% levantaram sérias preocupações a respeito do futuro do setor manufatureiro no Brasil.

O processo de concentração da pauta de exportações brasileiras em produtos primários avançou em 2010 e alguns analistas chegam a anunciar que a indústria nacional está diante de uma série ameaça, principalmente decorrente da concorrência da China. Nem mesmo o recorde de exportações que somaram 201,9 bilhões de dólares consegue aliviar essa tensão. Neste contexto discute-se a redução da participação dos produtos industriais no PIB brasileiro que, segundo dados do Banco Mundial, recuou para 26,4%, enquanto o setor de serviços ampliou a sua participação para 68,5%.

A participação da indústria brasileira na formação do PIB caiu de 37,1% para cerca de 25%, no período 1971-2010. Atualmente, na Espanha, a participação da indústria no PIB é de 26%, na Itália 25%, na França 19%, na Alemanha 26% e no Japão 23%. Em todos estes países, a participação também era muito maior em 1971, pois variava entre 46% (Alemanha) a 35% (França). Tais dados sinalizam mudanças estruturais que são conseqüência de uma sociedade pós-industrial na qual o conhecimento se torna o mais importante gerador de riqueza.

A maioria dos países tem perdido participação no mercado internacional e o Brasil apresenta uma participação que não ultrapassa 1,26% deste mercado. A Alemanha, um dos poucos países grandes que têm aumentado a sua participação no comércio global, pode servir de exemplo para o Brasil. O seu sucesso é baseado em exportações feitas por empresas familiares de tamanho médio. As empresas alemãs competem através de agregação de valor superior aos produtos e não baseada em preços, como é o caso das commodities. Em termos estratégicos, elas procuram se posicionar perto dos consumidores, possuindo subsidiárias nos principais mercados com o objetivo de obter retorno para inovação. Além disso, a Alemanha consegue manter as suas fábricas no país, pois abriga a legislação trabalhista mais flexível da Terra.

É importante não confundir desindustrialização com a maior participação do setor de serviços na geração de riqueza de um país. Para os líderes industriais, seu setor é mais importante que os demais por causa de seu papel no comércio internacional. Contudo, não parece fazer nenhum sentido que qualquer setor, seja ele, industrial, financeiro, de turismo, ou de engenharia, mereça maior proteção por parte governamental com a justificativa de que ele seja estratégico. O exemplo da Alemanha mostra que Schumpeter, um dos maiores economistas do século XX, estava certo ao discorrer que o desenvolvimento de um país se obtém através da inovação e do empreendedorismo. Concluindo, para aumentar a competitividade do setor manufatureiro é preciso ser extremamente inovador e contar com uma maior flexibilidade da legislação trabalhista.


7/2/2011 - A Gazeta

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